Artigos na “Glosas” N.º 4

Glosas 4Irão sair brevemente dois artigos meus no quarto número da Glosas, revista editada pelo Movimento Patrimonial pela Música Portuguesa. O lançamento do quarto número da revista está previsto para o próximo dia 5 de Novembro no auditório da Biblioteca Nacional de Portugal. O evento foi mencionado num post anterior. Este número poderia ser apelidado de “número dos Açores” pois, para além dos meus artigos, aparecem outros sobre vários temas da música nos Açores.

O primeiro intitula-se “Cosmopolitismo Musical na Cidade da Horta no Final do Século XIX” e reflecte, como o título assim o indica, sobre a vida musical na cidade da Horta (Açores) nos finais do século XIX, a influência musical das comunidades estrangeiras aí residentes assim como do fluxo marítimo ao porto da Horta.

O segundo, em co-autoria com Duarte Gonçalves-Rosa, tem por título “O Acervo Musical da Sé Catedral de Angra do Heroísmo: Obras Resgatadas ao Esquecimento” e incide sobre os três concertos promovidos, nos três últimos anos respectivamente, pela Sé Catedral de Angra do Heroísmo. Nele refiro obras de compositores como João José Baldi, Fr. José Marques e Silva, António José Soares e também compositores terceirenses cuja obra tem sido consecutivamente votada ao esquecimento, muito em parte por juízos estéticos preconceituosos.

Já o afirmei e volto a afirmar: esta é a nossa música. Seja ela ou não dentro dos moldes que todos eventualmente desejariam, é a música que se criava em Portugal na época e enquanto os meus caros colegas não se começarem a debruçar sobre todo este corpus musical, o século XIX permanecerá envolvido nas brumas da ignorância. Felizmente, estou a constatar cada vez mais curiosidade, quanto não interesse, por estes compositores “obscuros”. Tem sido esta a política adoptada pela Sé Catedral de Angra do Heroísmo, cujo seu acervo musical compreende na sua totalidade música deste período. Parafraseando o seu director artístico, faz pouco sentido a Sé estar a fazer obras que estão completamente desligadas do seu contexto musical, independentemente da sua qualidade. E até existem obras bastante interessantes.

Com estes dois artigos iniciarei (espero) uma parceria duradoura com o mpmp, nomeadamente através da Glosas. Esta revista, a meu ver, apareceu como um contributo de grande importância para a música portuguesa. Não é uma revista científica mas também não é uma revista “de se ler nos transportes públicos” o que a coloca num lugar privilegiado para ser um motor de inovação no conhecimento da nossa música. Parece também ter atraído esta nova geração de musicólogos, compositores e músicos, não esquecendo contudo as gerações precedentes. Há que inovar e romper com ideias “dos anos 60”. A Musicologia impõe-se cada vez mais como uma ciência do futuro e não uma ciência do passado como alguns parecem querer ainda insistir

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