Música Sacra Portuguesa do Século XIX na Sé de Angra

No passado dia 7 de Novembro foi realizado um concerto na Sé Catedral de Angra do Heroísmo? com obras de compositores portugueses do século XIX.

A Sé Catedral encheu-se (literalmente) para ouvir obras de João José Baldi, Fr. José Marques, António José Soares, entre outros. Este terceiro concerto (no primeiro fizeram-se as Matinas para a Sagração da Sé de Angra de João José Baldi e no segundo a Missa a 4 Concertada de D. Pedro IV) é a confirmação de que esta música sacra, tida como o “parente pobre” da tradição sacra portuguesa, é perfeitamente realizável e tem ouvintes. A Sé encheu-se de gente para ouvir esta música, apesar de se estar a realizar um outro concerto na mesma cidade, à mesma hora, com um programa totalmente diferente.

É realmente uma pena que mais destas iniciativas não se façam a miúde pelo resto do país. De certeza que (independentemente de qualquer juízo estético sobre a qualidade desta música) o nosso desconhecido século XIX seria cada vez mais apreciado. Os músicos e musicólogos queixam-se de não se saber praticamente nada sobre este século, mas a realidade é que nunca se fez um estudo organizado e aprofundado sobre esse mesmo século, como se fez por exemplo com o século XVII. Trabalhos isolados, que geralmente têm um carácter único e efémero, quase sempre não sendo apoiados pelas instituições que os deveriam apoiar. Quem imaginaria algum dia fazerem-se as Matinas de Quinta-Feira, Sexta-Feira ou Sábado Santo de João José Baldi? Quem imaginaria, por exemplo, a Orquestra e Coro Gulbenkian a fazerem o Stabat Mater de António José Soares no seu auditório? Gente maluca, provavelmente.

Fizeram-se, pois, na Sé de Angra do Heroísmo, com os meios possíveis, as seguintes obras: Veni Creator Spiritus, de João José Baldi; Nisi Dominus, de Fr. José Marques e Silva; Laudate Dominum, de João José Baldi; Laudate Pueri, de João José Baldi; Dixit Dominus, de João José Baldi; Magnificat, de João José Baldi; Tuam Ipsius Animam, de Pedro Machado de Alcântara (terceirense); Qui Lazarum Ressuscitasti, de Mateus Pereira de Lacerda (terceirense); 2 Canções de Natal, de Tomás Borba (terceirense); Stabat Mater, de António José Soares.

Esta situação está gradualmente a mudar. Comparativamente com o que se passava ainda há dez anos atrás, já se conhece, estuda, e faz-se em concerto este repertório, como é disso exemplo a música de Marcos Portugal.

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